Voos de Marabá para Belém será operado somente por uma empresa

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Após a divulgação do cancelamento de uma das rotas aéreas mais importantes da região sul e sudeste do Pará, trecho Marabá-Belém-Marabá, operada pela empresa Gol, a partir do dia 1º de julho deste ano, a população da cidade e as autoridades que utilizam os voos para a capital se mobilizaram contra a iniciativa de encerramento.

De 2015 a 2016, houve uma queda de 20,5% com relação a embarque e desembarque de passageiros no aeroporto João Correa da Rocha, em Marabá, ocasionado pela retirada de uma empresa aérea que voava também durante o dia, elevando os custos das outras empresas aéreas. O aeroporto de Marabá já teve quatro empresas fazendo linhas Marabá-Belém, mas a partir de julho está prevista para permanecer apenas uma, a Azul.

Segundo o superintendente da Empresa de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), em Marabá, Enock Alves Gama Filho, com o monopólio de apenas uma empresa, o preço sofrerá alteração. “Não sabemos até que ponto isso vai elevar os custos da passagem. Isso é um problema administrativo interno da empresa, mas que a gente não pode intervir”, disse. “O prejuízo é para toda a população de Marabá, que se vê tolhida em se utilizar esse meio de transporte tão necessário em toda a região”, reforçou Enock.

O médico cirurgião Antônio Márcio Nunes Alves, que precisa ir a Belém semanalmente, lamenta a decisão. “Apesar da crise, a região está recebendo investimentos. Ficará difícil para quem tem negócios, família e trabalho nesta rota”, disse.

Diretor de um dos hotéis mais tradicionais de Marabá, o empresário Dauro Remor vê com preocupação o cancelamento anunciado pela Gol. “Perdemos entre embarque e desembarque no aeroporto de Marabá cerca de 100 mil passageiros, isso em 2016”, revelou. “A retirada de mais um voo significa que vamos perder mais diárias e mais pernoites. Toda a cadeia produtiva do turismo em Marabá acaba perdendo”, criticou.

FATURAMENTO

Embora a Infraero não tenha ingerência nas decisões das empresas aéreas, o superintendente local contou que além da população de Marabá, o aeroporto também terá prejuízos com a diminuição do fluxo de passageiros, algo que já vem acontecendo há dois anos, mesmo período que a empresa Tam também cancelou os voos Marabá-Belém, em agosto de 2015. “Tem de haver uma sensibilização das autoridades locais e representantes de classes para tentar equacionar esse problema junto ao Governo do Estado que pode tratar desse assunto de forma coorporativa”, completou o superintendente.

ESCLARECIMENTO

Sobre o fim dos voos para Marabá, a empresa afirmou que “A malha da Gol é dinâmica e constantemente revisada para melhor atender à demanda de seus clientes e movimentos do mercado. A partir de julho de 2017, a rota Marabá-Belém, será descontinuada”. Ainda segundo a nota, a companhia reforçou que os clientes poderão fazer este trecho, a partir de julho, com escala no aeroporto de Brasília.

Autoridades procuram outra companhia

Para tentar resolver a situação do fim da linha aérea Marabá-Belém- Marabá, Vereadores e autoridades de Marabá foram a Brasília para reunir com a direção da empresa Gol da Agência Nacional de Viação Civil (Anac), na manhã da última quinta-feira (27). Ficou agendada outra reunião para tentar definir o assunto. Uma das possíveis soluções é atrair uma nova empresa de aviação para fazer esse trecho. A empresa a ser convidada seria a Avianca.

Na última terça-feira (25), o deputado estadual João Chamon Neto (PMDB) denunciou o cancelamento dos voos rota Marabá-Belém-Marabá, anunciado pela GOL Linhas Aéreas, na tribuna da Assembleia Legislativa. Segundo o deputado, a agência utiliza apenas de interesse mercantil.

Em seu pronunciamento, o deputado Chamon destacou que o que precisa ser mudada é a lei da concessão de atuação das companhias aéreas que iniciam e finalizam os trechos de voos a seu bel prazer. Na ocasião, o deputado sugeriu que se façam mudanças no código de aviação brasileiro, apresentando uma moção aprovada em unanimidade pela Alepa enviando ao presidente do Senado e da Câmara Federal intervir no Código Civil Nacional.

Programação e dados deste ano

– Atualmente, a Gol possui um voo diário, por quatro dias na semana, no horário de meia noite. A programação ficará assim até o dia 30 de junho deste ano. Já a Azul possui dois voos diários, um às 7h05 e o outro às 13h15.

– Segundo números da Infraero, no primeiro trimestre de 2017, o aeroporto de Marabá teve um fluxo de 71.646 passageiros, sendo 27.389 passageiros embarcados e desembarcados em janeiro, 22.094 em fevereiro e 22.163 em março

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