As perspectivas do minério de ferro para o restante do ano não são tão ruins, pois a oferta de minas menos eficientes está minguando, segundo a Atlas Iron Ltd.

Os compradores chineses estão repondo seus estoques, impulsionando a demanda, disse David Flanagan, diretor-gerente da empresa com sede em Perth. A oferta mundial de minas com custos altos continuará diminuindo, disse ele em uma entrevista nesta quarta-feira. A Atlas opera minas na região australiana de Pilbara, rica em minério.

A commodity vem em uma montanha-russa em 2015, tendo afundado para seu valor mais baixo em seis anos em abril devido à alta da produção de baixo custo e ao crescimento mais fraco da China, a maior compradora, antes de se recuperar e entrar em um mercado altista no mesmo mês. Depois, o minério voltou a atingir um novo valor mínimo no começo de julho, quando alguns bancos previram que os preços despencariam para menos de US$ 40, antes de voltar a ter um rali, retornar a um mercado altista e atingir seu valor mais alto em dois meses na terça-feira.

“Há mais oportunidades para um aumento dos preços do minério de ferro do que para uma diminuição”, disse Flanagan em entrevista por telefone. “Há oportunidades para o fechamento de mais minas e para um rali de compras até dezembro”.

O minério com teor de 62 por cento em Qingdao subiu 1,3 por cento, para US$ 58,18 por tonelada seca na terça-feira, o valor mais alto desde 1º de julho, segundo a Metal Bulletin Ltd. Os preços tocaram fundo a US$ 44,59 em 8 de julho, um recorde em dados que remontam a maio de 2009.

SEM EXCEDENTE

“Nós estamos vendo quedas constantes nos estoques da China e isso me diz que não há um excedente de minério de ferro”, disse Flanagan. “Basicamente, as pessoas precisam reabastecer”.

As reservas nos portos chineses caíram durante quatro semanas consecutivas, para 80,1 milhões de toneladas em 4 de setembro, o valor mais baixo em dois meses, segundo dados semanais compilados pela Shanghai Steelhome Information Technology Co. Os estoques atingiram 79,35 milhões de toneladas em junho, o valor mais baixo em 19 meses, mostram os dados.

A queda da produção das minas menores impulsionou a demanda pela oferta de baixo custo das principais produtoras, segundo o analista da CLSA Ltd. Ian Roper. A maior parte da queda dos preços neste ano já ficou para trás, pois a construção na China acelera em outubro, disse Roper.

IMPORTAÇÕES CONSTANTES
Após décadas de crescimento rápido que estimularam uma expansão sem precedente da produção de aço, a China está lutando com um excesso de capacidade, pois uma desaceleração liderada pelas propriedades está perturbando a demanda. Mesmo assim, as compras do país de minério no exterior permaneceram quase inalteradas em relação a um ano atrás, com 613 milhões de toneladas nos primeiros oito meses, segundo dados alfandegários.

As ações das companhias mineradoras subiram nesta quarta-feira em meio ao otimismo de que a China vai estabilizar seus mercados financeiros. A Atlas saltou 6,9 por cento em Sydney e a Rio Tinto Group, a maior produtora de minério de ferro do país, teve um rali de 2,6 por cento.

As maiores fornecedoras, dentre elas a Rio e a BHP Billiton Ltd. na Austrália e a Vale SA, do Brasil, têm a intenção de aumentar a oferta com o objetivo de aumentar os volumes e reduzir os custos por tonelada. Uma nova oferta aparecerá no mercado na forma de minério da mina da bilionária australiana Gina Rinehart em Roy Hill, que iniciará os embarques neste ano.

“Ainda tem muita oferta de baixo custo chegando”, disse Roper. “Os preços vão ter que baixar muito de novo. Provavelmente possamos testar esse patamar novamente no ano que vem”, disse ele em referência ao valor mínimo de US$ 44,59 em julho.

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