As mulheres da Associação das Boleiras de Itainópolis, no município de Marabá, consolidam seus novos horizontes com a inauguração da sede própria da doceria e panificadora que criaram por meio do associativismo.  O novo espaço foi inaugurado na última segunda-feira (22/5) e foi construído pela Fundação Vale,  por meio do Programa AGIR EFC – Apoio à Geração e Incremento de Renda. Além de não terem mais o custo do aluguel, as boleiras contam com um espaço totalmente projetado para atender as necessidades do grupo, com áreas específicas para produção e comercialização dos produtos; espaços apropriados para depósito, resíduos e até estacionamento. O grupo já contava com todos os equipamentos e maquinários instalados na antiga sede e que também foram adquiridos pela Fundação Vale.

 

“Eu estou muito emocionada, parece que não caiu a ficha”, descreve dona Nezinha, presidente da Associação das Boleiras de Itainópolis. Ela completa: “foi tanta luta, mas nós vencemos e somos muito gratas à Vale e à Fundação Vale que trouxeram o projeto AGIR para nós. Hoje, somos mulheres mais fortes e ainda mais unidas para seguir adiante”, finaliza.

 

Com o empreendimento funcionando em sede própria, as boleiras atingem a fase atual do projeto, denominada de “graduação”, quando o trabalho é voltado para a consolidação dos processos produtivos e gerenciais do negócio.  Para chegar até aqui, as mulheres decidiram, em 2014, participar do programa como uma alternativa ao comércio informal e, muitas vezes, inseguro  que elas exerciam às margens da Estrada de Ferro Carajás.

 

Para Marcus Finco, coordenador do AGIR EFC pela Fundação Vale, o empreendimento Boleiras de Itainópolis alcançou resultados significativos na chamada gestão integrada do negócio, ou seja, os processos produtivos e gerenciais estão agora consolidados. A  sede própria é  um marco do programa. ” Sim, é um momento muito importante e esperamos que, com a nova sede, as empreendedoras possam alavancar ainda mais a produção e incrementar a renda das integrantes. Estamos muito satisfeitos com os resultados dos AGIR EFC até aqui”, avalia Finco.

 

O evento de inauguração  contou com a participação de comunitários, clientes do empreendimento Boleiras de Itainópolis e de representantes da Vale e Fundação Vale. A inauguração da nova fábrica faz parte de um ciclo de entregas iniciado no ano passado em  localidades ao longo da ferrovia, onde o programa é implantado.

Histórico

O AGIR EFC é desenvolvido desde agosto de 2014 como alternativa de geração de trabalho e renda para empreendedores que atuavam no comércio informal de alimentos em algumas estações do trem de passageiros da Estrada de Ferro Carajás (EFC). A iniciativa considerou os desejos dos participantes e as vocações locais onde seriam instalados os empreendimentos. As etapas seguintes envolveram a formação de grupos de trabalho e o engajamento dos empreendedores em unidades produtivas. Foi realizada, então, processos de sensibilização, mobilização e um mutirão da cidadania para que todos pudessem obter os documentos necessários. Assim foi iniciado efetivamente o AGIR EFC, com o apoio, desenvolvimento e assessoramento da atividade econômica.

O AGIR EFC conta com a parceria do Instituto de Socioeconomia Solidária (ISES). O instituto tem experiência neste tipo de trabalho que envolve implantação de negócios comunitários, com apoio de organizações técnicas, como é o caso do Serviço Nacional Aprendizagem Industrial (SENAI). O principal objetivo do AGIR EFC é deixar legado positivo nas comunidades por onde passa a Estrada de Ferro Carajás, contribuindo para o desenvolvimento socioeconômico da região.

A exemplo das Boleiras de Itainópolis, os demais negócios sociais ao longo da ferrovia Carajás no Pará e no Maranhão foram escolhidos em conjunto com os empreendedores envolvidos.  Há iniciativas voltadas a confecção de roupas e, principalmente, à produção de doces, biscoitos, pães, óleo de babaçu, entre outros do gênero alimentício. O Programa AGIR busca, sobretudo, valorizar as capacidades individuais, gerando autonomia, empoderamento e melhoria da qualidade de vida das pessoas envolvidas.

Atualmente, 160 empreendedores já integram o Programa AGIR em 23 negócios sociais distribuídos nos sete municípios-sede ao longo da ferrovia, entre os estados do Pará e do Maranhão. No Pará, o programa atua em Marabá, na Vila de Itainópolis. No Maranhão, a iniciativa está presente nas cidades de Arari, Vitória do Mearim, Alto Alegre do Pindaré, Buriticupu, Bom Jesus das Selvas e São Pedro da Água Branca. Os empreendedores recebem apoio em infraestrutura, maquinário, como também acompanhamento técnico em toda a gestão integrada dos negócios (produção, venda, compras e tesouraria/administrativa).

Venda de alimentos às margens dos trilhos ficou no passado. Elas são empreendedoras, donas do próprio negócio

 

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