Vinte anos após privatização, Vale abre nova fase com gestão austera

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Em três semanas, o engenheiro Fabio Schvarstman entrará no número 700 da avenida das Américas, no Rio de Janeiro, com a missão de conduzir a mineradora Vale numa nova etapa, 20 anos após a privatização da companhia.

Ele terá que encontrar formas de cortar ainda mais os custos e garantir a redução da dívida, adotando uma gestão austera para se adaptar a tempos de minérios mais baratos e incertezas sobre o crescimento da China, principal mercado da mineradora.

Durante quase uma década, a Vale surfou a expansão da economia mundial, que fez o preço das commodities dispararem. Quanto mais o minério subia, mais a receita e o valor de suas ações cresciam.

Foi nesse período de euforia que seu presidente mais longevo, Roger Agnelli, levou a Vale para novos negócios e aquisições no exterior, como a compra da mineradora canadense Inco, em 2006, e da fabricante de fertilizantes Fosfertil no Brasil, em 2010.

Quando deixou a empresa no início de 2011, após dez anos, a Vale chegara a outro patamar. A mineradora privatizada em 1997 já era um colosso, com US$ 4,5 bilhões em receitas e 11 mil funcionários por cinco países. Ao fim da era Agnelli, faturava US$ 50 bilhões e tinha 71 mil empregados em 24 nações.

O problema é que era também uma companhia agigantada para um mercado que daria em breve sinais de retração. O sucessor, Murilo Ferreira, tratou de enxugá-la: represou investimentos, cortou 80% dos custos e vendeu mais de US$ 10 bilhões em minas, navios, e outros ativos.

Agora, chegou a vez de Schvartsman. “Murilo foi a pessoa certa no momento certo. Fez o trabalho necessário”, diz Ivano Westin, analista de mineração do Credit Suisse. “Em aberto está o que Fabio fará: se pagará mais dividendos ou colocará a Vale de volta à rota de crescimento.”

Se depender dos acionistas, será a primeira opção. No bloco de controle da companhia, onde Bradesco, o fundo de pensão Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, e a japonesa Mitsui dão as cartas, a palavra que mais se repete hoje é “continuidade”.

Um executivo ligado a um dos controladores diz que não há necessidade de reestruturação ou de “inventar moda”. A ordem é priorizar resultados. A ideia é que a Vale esteja preparada para operar bem seja qual for o preço do minério no mercado. Se ele subir e os ganhos aumentarem, é lucro —de preferência, para o bolso dos sócios.

A empresa fechou 2016 com lucro de US$ 4 bilhões, superando perdas de 2015. O faturamento subiu 20% e a geração de caixa melhorou.

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