A reabertura das atividades parlamentares aconteceu na tarde desta segunda-feira (3). Após o recesso previsto no Regimento Interno da Câmara Municipal de Parauapebas, as pautas e debates em prol do município voltam à discussão. Estiveram presentes na sessão solene a comunidade, imprensa local, autoridades, secretariado e o prefeito Valmir Mariano. Confira parte dos pronunciamentos.

José Francisco Amaral Pavão (SD)

“Estamos aqui [no parlamento] para lutar pela população tão carente de Parauapebas. Precisamos que a cidade volte a ter o rumo certo. Aproveitei o recesso para visitar obras, a comunidade e a zona rural. Por cada lugar que passei vi que Parauapebas está retrocedendo. Mas cabe a nós, vereadores, fazermos o papel de fiscalizar. Nossa educação tem piorado e vemos que a cada dia que passa a saúde e as obras não saem do papel. Vamos aproveitar o retorno dos trabalhos para convocar os secretários para que possamos trabalhar. Precisamos obter informações do Executivo, até mesmo as mais simples, como a folha de pagamento, dentre outras mudanças que acontecem na instituição. Quero ainda que o prefeito cumpra a Lei Orgânica e faça a prestação de contas. Que nesta etapa, nós parlamentares, possamos juntos mudar a cara deste município”.

José Arenes (PT)

“Estou aqui com a mesma coragem que sempre tive ao longo do meu mandato. Por causa do distanciamento entre os poderes, nossa sociedade tem pago um preço muito caro, e por isso estamos à beira de um apocalipse político em Parauapebas. Nós da oposição sempre falamos sobre o tratamento desrespeitoso por parte do Executivo. O abandono total da zona rural, sendo que a cidade não sobrevive sem o campo. Nossa produção caiu assustadoramente. O que consumimos aqui vem de Anápolis e dos centros que abastecem o mercado nacional. E a agricultura deixou de empregar famílias aqui. Fui formado por um trabalhador rural, e sei o quanto custa o abandono deste povo. Ainda não é a hora de lavarmos a roupa suja, não. Porque se enganam aqueles que acham que vamos parar de denunciar e cumprir o nosso papel. Isto está no nosso sangue. Tem o preço por fazer esta opção, mas jamais me acovardarei e deixarei de debater os problemas do município. O governo não foi capaz de dar a resposta de mudança para a sociedade com os cofres cheios de dinheiro, imagine agora com os cofres vazios. Mas estaremos cobrando uma resposta à altura do dinheiro público que foi mal gasto”.

Charles Borges (SD)

“Este segundo semestre vai exigir muito de nossas forças. A sociedade tem que estar incluída. Quando olhamos a crise mundial não podemos deixar de lado a crise do município. A falta de recursos financeiros é preocupante. Quem está aqui há algum tempo já viu uma realidade diferente. Teremos que nos readequar. Agora o erário terá que ser enxuto e transparente. Agora é o momento de fiscalização. As questões sociais estão estourando. Quem está levando vantagem é a classe alta, e a classe média baixa vai pagar ainda mais caro. A recessão pode piorar. Por isso temos que legislar e fiscalizar. Tínhamos 23% de arrecadação de ICMS e o Governo do Estado baixou para menos de 13%. A queda foi grotesca. Isso é uma injustiça, porque com a queda que tivemos na receita o estado ainda nos leva mais uma fatia. Quem mais está sofrendo com isso é a população mais carente da cidade”.

Israel Pereira ‘Miquinha’ (PT)

“Quero registrar a luta nacional que os movimentos sociais estão realizando no Brasil, pautando os governos federal, estadual e municipal, juntamente com a Vale e a Rede Celpa. Este momento é de crise, mas de superação. Não dá pra entender por que a Vale demite pessoas todos os dias, mas bate recordes de arrecadação. Andando nos hospitais vi a dificuldade de transportar os pacientes, tendo que pegar veículos emprestados com outros municípios. A união desta Casa com os movimentos sociais é necessária para mudar essa situação. Quero, também, agradecer ao apoio do secretariado municipal, do prefeito e da comunidade que se organizou para comemorar os 21 anos da Palmares. Nossa história continua viva, e continuamos dispostos a buscar os nossos objetivos”.

Eliene Soares (PT)

“É mais um semestre que se inicia. E este está pior que os outros. Se formos falar de educação, que já foi o nosso orgulho, está um caos. A saúde é vergonhosa. É um governo de mentiras, de enganação, de falcatruas. Todo mundo já ouviu nas rádios que foram inauguradas mais de 100 obras. Cadê essas obras? Estão reinaugurando obras que já foram inauguradas. O posto [de saúde] do Rio Verde, por exemplo, está fechado. As obras da Faruk Salmen estão paradas e a Vale já deixou claro que falta a conclusão da parte da prefeitura no contrato. Na agricultura não há assistência nenhuma. Quando foi pra fazer o PPA [Plano Plurianual de Aplicação] e a LOA [Lei Orçamentária Anual], fui junto ao prefeito e pedi que ele atendesse às demandas propostas nestes projetos. Pedi apenas que ele executasse as obras. E nada foi feito. A cidade está só o buraco, suja e escura. É vergonhoso morar numa cidade milionária e não ter cursos universitários suficientes para a nossa comunidade. O trabalhador luta 30 anos na zona rural e na velhice adoece e tem que vender o que conquistou para pagar uma cirurgia e cuidar do tratamento. Quero que fique registrado que o senhor prefeito não trabalhou não foi porque os vereadores não deixaram. Aprovamos as suas demandas. O senhor não trabalhou porque não teve competência”.

Zacarias Marques (PP)

“Ao vermos representantes dos poderes nesta Casa, fica claro que as instituições estão se aproximando. Por falar em crise, tenho a dizer que a Vale se vale da crise. Temos que nos unir e formar uma nova matriz econômica. Não adianta só apontar o dedo. Gostaria de chamar toda sociedade, principalmente aquela que critica, para que possamos nos unir e mudar essa situação. O papel do vereador não é só apresentar críticas, mas também alternativas. Como líder do governo, quero aumentar a aproximação entre as instituições para que possamos encontrar a melhor forma de resolver os problemas de nossa sociedade”.

Ivanaldo Braz (SD)

“Tivemos muitos problemas no primeiro semestre, mas temos muita esperança. Vamos trabalhar dentro da legalidade para que as ações tomem o rumo certo. Criticar é muito fácil, mas auxiliar com alternativas é difícil. Não podemos ficar distantes. Os poderes têm que se unir, com maturidade e postura, para realizarmos um trabalho em prol da sociedade. Gostaríamos de reunir os 15 vereadores e o prefeito para que possamos levar as demandas da comunidade ao Executivo, para, assim, serem solucionadas. Que Deus nos dê sabedoria, discernimento e coragem para resolver os problemas do município. Vamos recomeçar de maneira correta, pautados no Regimento Interno e na Lei Orgânica”.

Valmir Mariano, prefeito municipal

“Fico extremamente feliz quando vejo as críticas. Isso é saudável e salutar. Quero apenas que participem. Não tive recesso e vamos trabalhar mais. Precisamos estar juntos, de braços dados, porque os interesses desta cidade são superiores às nossas vaidades pessoais. Temos que fazer o melhor por este município. Temos muitos problemas, mas em dois anos fizemos o que não foi realizado em 20 anos. Temos muito ainda a fazer pela educação, mas muito já está sendo feito. Com referência à mobilidade urbana, para mim o mais importante de tudo é a vida. Na PA 160, por exemplo, foi reduzido em mais de 92% o índice de acidentes fatais, o que me deixa satisfeito. Fui criticado por ser uma obra do estado, mas o fundamental é que haja segurança. Fui caluniado nos últimos três meses, dizendo que eu havia superfaturado um terreno para a construção habitacional. Contratamos um instituto e está aqui à disposição de todos o resultado da investigação, afirmando que foi comprado por um valor abaixo do mercado. Se não terminamos a Faruk Salmen, é porque a Rede Celpa está atrasando a retirada dos postes. Que a partir de agora possamos de mãos dadas fazer o melhor por este município”.


Texto: Josiane Quintino

Fotos: Anderson Souza

Ascom CMP

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