Pará terá mais idosos que crianças em 2044

575

A pesquisa de projeção populacional, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que a população paraense está em trajetória de envelhecimento. Em 2060, a quantidade de pessoas com mais de 60 anos passará dos atuais 764 mil idosos para 2,7 milhões de idosos, ou seja, um em cada quatro paraenses será idoso em 2060.

Essa projeção está associada a fatores que explicam o envelhecimento, como a “queda da mortalidade infantil no Pará, ampliação da rede do sistema único de saúde brasileiro e políticas públicas de saneamento básico nas grandes concentrações populacionais (como nas metrópoles brasileiras)”, ou seja, “a esperança de vida do paraense ao nascer está aumentando de 72 anos, em 2019, para 77 anos em 2060”.

A mortalidade infantil, por exemplo, em 2019 apresenta cerca de 20 óbitos de crianças para cada 1000 nascimentos e, em 2060, será de 9 crianças para cada 1000 nascimentos no Pará.

Os técnicos do IBGE verificaram, entre os estados brasileiros, algumas diferenças nessa dinâmica do envelhecimento da população. O Rio Grande do Sul será o primeiro estado que experimentará uma proporção maior de idosos que crianças de até 14 anos, o que deverá ocorrer em 2029.

No Pará essa proporção maior de idosos que crianças deverá ocorrer em 2044, segundo o IBGE.

A partir dessa realidade, além dos inevitáveis aumentos dos gastos com saúde e aposentadorias, a previsão é de maior percentual de pessoas fora da idade de trabalhar e, portanto, de dependentes da população economicamente ativa para manutenção do equilíbrio previdenciário.

Outro fator de envelhecimento da população paraense é a queda na taxa de fecundidade da mulher paraense. Em 2019, a média de filhos nascidos na idade reprodutiva feminina é de 1,91 e, em 2060, será de 1,8 filhos.

A demógrafa do IBGE, Leila Ervatti, explicou que “a longo prazo, a redução da população também impacta a quantidade de pessoas em idade reprodutiva”.

“Isso já ocorre em países europeus, onde as taxas de fecundidade são muito baixas e, por consequência, há um reduzido número de pessoas em idade ativa, sendo inclusive necessário que esses indivíduos recebam algum tipo de incentivo para que tenha filhos pensando na população que sustentará os idosos”, completa. (O liberal)

Comentários