Quase 40% dos presos que não retornaram às casas penais do Pará, após as festas de fim de ano, respondem pelo crime de tráfico de drogas. Em seguida, estão os presos que cometeram roubo, 36,05% do total. Em 3º lugar, com 10,09%, vêm os criminosos que foram parar nas penitenciárias após terem cometido assassinatos.

O perfil dos 208 beneficiados pela Justiça com a saída temporária no final de 2015 e que descumpriram o prazo determinado para voltar aos presídios, foi divulgado ontem pela Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado (Susipe). Por não retornar no prazo estabelecido, o interno é considerado foragido. Segundo a Susipe, ele também regride ao regime fechado quando recapturado, até a audiência com o juiz para explicar os motivos da evasão.

A saída teve início no dia 24 de dezembro, com retorno marcado para o dia 2 de janeiro de 2016. A Susipe informou que, dos 1.238 detentos beneficiados com a saída temporária, 1.030 retornaram às unidades prisionais paraenses, o que representa 16,8% de fuga. O benefício é concedido pela Justiça a presos que cumprem pena em regime semiaberto, apresentam bom comportamento e que já tenham cumprido, pelo menos, 1/6 da pena. A intenção é fazer com que o detento volte, aos poucos, ao convívio social.

FUGAS

Na Região Metropolitana de Belém (RMB), a Colônia Penal Agrícola de Santa Izabel (CPASI), foi a unidade prisional que registrou o maior número de fugas: dos 477 detentos liberados, 145 não voltaram no prazo determinado pela Justiça. O número alto de presos que não retornaram às penitenciárias não surpreendeu a população. “Com certeza a sociedade não é a favor disso. A maioria dos presos não volta”, opinou o empresário José Ribeiro, 52 anos. A dona de casa Nelcione Soares, 36 anos, teme que os fugitivos voltem a cometer crimes. Ela disse que, no último dia 29, foi vítima de um assalto. “Ele (assaltante) estava com a tornozeleira eletrônica. A Justiça dá a liberdade, se compromete a vigiar o preso, mas isso não o impede nada”, contou.

O eletricista Edson Moraes, 41 anos, diz que não concorda com a saída temporária dos presos. “Esta não deve ser a melhor forma de socialização de um preso. A Justiça e o Governo têm de rever tudo isso”, opinou.

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