A Vale realizou uma fiscalização detalhada nas condições estruturais de 115 das barragens mais relevantes da mineradora, após o rompimento das barragens de Fundão e Santarém, da Samarco, na semana passada. Segundo a mineradora, foram vistoriados os acessos, reservatórios, cristas, bermas, taludes, drenagem superficial, sistema de drenagem interna, ombreira e sistema extravasor e nenhuma alteração foi identificada.

Em comunicado enviado ontem (10) ao mercado, a Vale disse que, nos próximos dias, estarão concluídas as inspeções de todas as barragens. Dezoito profissionais de geotecnia da empresa, além de equipes em escritórios, trabalharam de forma emergencial no último fim de semana, contribuindo para acelerar os resultados das inspeções das barragens.

“A Vale reforça que, além de aplicar as melhores práticas pertinentes à manutenção de suas barragens, suas estruturas são auditadas por consultorias externas especializadas. Toda a legislação aplicável é observada e rigorosamente cumprida”, disse a mineradora no comunicado.

A mineradora afirmou que, desde o acidente da Samarco, tem fornecido recursos humanos e materiais para auxiliar a empresa nos trabalhos de resgate e remoção dos locais de riscos dos desabrigados pelo acidente. Cerca de 100 empregados da Vale estão diretamente envolvidos nas ações.

Foram cedidos pela Vale helicópteros e 30 mil litros de combustível aeronáutico, utilizados nas ações de resgate às vítimas nos distritos impactados, assim como três carros e duas ambulâncias. Um heliporto na Mina de Alegria foi liberado para as equipes de resgate. Seis especialistas em trekking da Vale também estão ajudando nas ações, assim como técnicos de prevenção e controle de perdas.

Cinco caminhões fora de estrada, utilizados nas operações de mina, uma pá carregadeira e um trator estão fazendo o trabalho de enrocamento do dique da barragem, que se rompeu. Um técnico da Vale, especialista em barragens, além de outros dois engenheiros geotécnicos, estão em tempo integral na Samarco à disposição da empresa.

A Vale montou no município de Acaiaca, um dos distritos de Mariana afetados pela lama, um sistema de captação de água, com bomba, gerador e tubulação dedicados para alimentar dois caminhões-pipa. Eles realizam, ininterruptamente, o transporte de água para a limpeza daquela localidade. Também em Barra Longa, foi montada uma captação de água para atender aos moradores.

Os números mais recentes da Samarco apontam que 637 pessoas, cerca de 185 famílias, foram alocadas em hotéis e pousadas da região de Mariana (MG).

A Vale disse que o CEO Murilo Ferreira esteve em Mariana (MG), no último sábado (7) “dando todo o apoio à Samarco e às equipes da Vale envolvidas nas ações”.

“Evidentemente, jamais poderemos voltar ao passado e recuperar as vidas perdidas neste triste episódio, mas não vamos medir esforços para ajudar a reconstruir a história de cada uma das pessoas afetadas, assim como recuperar o meio ambiente. Para nós, da Vale, ‘a vida em primeiro lugar’ é um valor primordial”, disse Ferreira.

A BHP Billiton, que tem a outra metade da Samarco, também determinou a inspeção de todas as suas barragens, após o acidente em Mariana (MG). A empresa, terceira maior produtora mundial de minério de ferro, tem operações de cobre, carvão e petróleo no Chile, Peru, Estados Unidos, Canadá e, principalmente, na Austrália.

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