As refinarias de níquel na China, maior produtora global do metal, planeja cortar a produção em, pelo menos, 20% no ano que vem. O objetivo é fortalecer os preços do níquel metálico depois que o metal atingiu o menor patamar em 12 anos.

Oito empresas, incluindo a maior fornecedora de níquel refinado Jinchuan Group e a produtora de ferro-gusa de níquel Tsingshan Holding, concordaram em cortar a produção em 15 mil toneladas no mês de dezembro, segundo declaração que circulou pelo Wechat, aplicativo de mensagens e chamadas gratuitas.

As refinarias não especificaram qual volume será cortado com essa redução de 20% na oferta total de níquel da China, mas a declaração sugere algo em torno de 120 mil toneladas fora do mercado no ano que vem, segundo Celia Wang, gerente-geral do Departamento de Investimento do Tianjin Zhongwei Group. As oito empresas representam, juntas, praticamente toda a capacidade de produção de níquel da China, afirmou a executiva.

O níquel para entrega em três meses, na London Metal Exchange (LME), subiu 3,2% ontem para US$ 9.195 a tonelada. No mercado à vista, o preço do metal também subiu para US$ 9.165 a tonelada na LME.

“O plano [de cortar a produção] pode ajudar os preços no curto prazo. Quanto ao tempo que poderá abastecer o mercado por um período mais longo, depende da implementação”, disse Peter Peng, analista do CRU baseado em Pequim, por telefone, à Bloomberg.

O níquel tem o pior desempenho da LME neste ano, à medida que a desaceleração no crescimento da China contribui para um aumento do excesso de oferta, levando os preços para o menor patamar desde 2003. A queda é tão brusca que, pelo menos, metade da produção global opera com prejuízo, segundo a Vale Indonésia.

Com as medidas da China para segurar as taxas de juros e diante do encontro entre as refinarias chinesas em Xangai, os preços do níquel fecharam a semana com alta de quase 3%. As produtoras do metal Jilin Ji En Nickel e a Xinjiang Xinxin Mining também participaram da reunião.

A produção chinesa de níquel, incluindo o metal refinado e ferro-gusa de níquel, que é uma alternativa barata para o setor siderúrgico, deve cair 21% neste ano para 585 mil toneladas ante 740 mil de 2014, segundo o CRU. A produção global deve cair de 2 milhões de toneladas, registradas no ano passado, para 1,94 milhão em 2015.

“Os investidores estão preocupados que esse apoio dure pouco tempo, assim como a alta de um dia do zinco depois de um anúncio similar feito na semana passada, e podem questionar se esses acordos estão vinculando as refinarias”, disse Xu Maili, analista do Everbright Futures, baseado em Xangai.

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