A diretora executiva de Metais Básicos da Vale, Jennifer Maki, afirmou ontem (1), à Reuters, que a mineradora segue operando a planta de processamento de Onça Puma, no Pará. O Ministério Público Federal ordenou a paralisação das atividades de mineração, em outubro, e disse que a mineradora não estava cumprindo com a decisão. O processamento de ferroníquel, porém, não é considerado atividade de mineração.

Maki disse que a Vale suspendeu as operações na mina a céu aberto de Onça Puma, cumprindo com as determinações do MPF. A executiva concedeu entrevista nos bastidores do Vale Day, evento para investidores realizado ontem pela mineradora em Nova York.

O MPF e índios que vivem próximos a Onça Puma afirmaram, na última sexta-feira (27), que a Vale não interrompeu as atividades de mineração na mina de níquel. A Vale respondeu e disse que paralisou as operações de mineração no empreendimento.

A alegação do MPF é que a mineradora está descumprindo as ordens por mais de um mês, no entanto não explicou de que forma a Vale teria violado a determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Não ficou claro se o MPF se referia à operação da planta de processamento como forma de afirmar que a mineradora descumpriria as ordens.

A Justiça já determinou o pagamento de R$ 1 milhão por mês para cada uma das sete aldeias afetadas pela mineração em Onça Puma. “Nós não concordamos com a multa que eles cobraram”, afirmou Maki.

A Vale afirmou que comprovou o depósito de R$ 7,4 milhões em conta judicial perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Essa conta deverá ficar bloqueada por recente decisão do STJ, que aceitou o pedido da mineradora para que o dinheiro fosse, por enquanto, depositado em juízo e não repassado aos índios.

A mina de Onça Puma produz ferro-níquel por meio do processo de forno elétrico rotativo e, segundo o relatório anual Form-20 de 2014 da Vale, opera com uma única linha, com uma capacidade nominal estimada de 25.000 toneladas métricas por ano.