Na opinião de Raimundo Amorim, o popularmente conhecido como Macarrão, a Vale vem demitindo trabalhadores de forma “covarde” além de cortar benefícios como, por exemplo, o 14º e 15º salários. Ele é presidente do Sindicato Metabase que representa os trabalhadores na mineração industrial em vários municípios paraenses, entre eles, Parauapebas, Curionópolis, Canaã dos Carajás e Marabá. “O mercado de minério vem passando por uma crise de retração de consumo de minério de ferro. A mineradora está usando o momento para fazer terrorismo na cabeça dos trabalhadores”, conta Macarrão, explicando que as demissões tem atingido os trabalhadores que salários mais elevados e com mais de 10 anos de contratados que são substituídos por mão de obra mais barata. Ele mensura que pelo menos 300 trabalhadores estão sendo demitidos por semana nas minas da Vale na região.

O corte dos 14º e 15º salários, conforme detalha Macarrão, significa por ano pelo menos R$ 42 milhões a menos de dinheiro no mercado da região, o que ele qualifica com perda generalizada, acentuado a crise que já é sentida por todos os mercados, inclusive imobiliário. Outra denúncia feita pelo líder sindical é a colocação de Relógio de Ponto longe dos locais de embarques, o que causa, ainda segundo ele, perdas diárias para os trabalhadores que no fechamento da folha mensal sente no valor de seus salários. “Estamos aproveitando também o momento para inserir uma cláusula neste acordo que assegure estabilidade aos trabalhadores a exemplo do que já ocorre nas montadoras de veículos em São Paulo, onde a justiça fez voltar 800 trabalhadores demitidos, graças a uma cláusula que os ampara”, afirma Macarrão, lembrando que esta não é a primeira crise que as mineradoras  enfrenta, e conta que na década de 90 com uma inflação de 42% ao mês  e o minério vendido a $ 40 a tonelada, foi possível fazer vários acordos para preservar empregos. Ele cita que um dos acordos feitos na época foi férias coletivas para os trabalhadores, período em que eles faziam cursos e tinham certeza do retorno ao trabalho.

Ele raciocina que as férias coletivas poderia ser, de novo, uma ótima alternativa, pois com a parada na produção provocaria a escassez do produto o que consequentemente o valorizaria. “A atual administração da Vale está fazendo caminho inverso e em meio à retração do mercado estão acelerando a produção e mandando demitir para cortas gastos. Queremos conversar como alto escalão da empresa, pois entendemos que neste momento o melhor é desligar os equipamentos”, resume Macarrão, contando que a empresa não estava cedendo à conversações, mas com a manifestação iniciada à 3h da manhã de hoje foram convidados a comparecer na sede da empresa na sexta-feira, 17, para discutir as reivindicações.  “Suspendemos as paralizações e mobilizações apenas enquanto discutimos com o alto escalão da Vale, e caso não sejamos atendidos, voltaremos à luta em defesa dos pais de famílias injustiçados”, garante Macarrão

Redação Noticias de Parauapebas / Francesco Costa

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