Carajás investe no uso sustentável do jaborandi

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Parauapebas_PA, 03 de setembro de 2009 Projeto Gaviao Real na Floresta Nacional de Carajas. Foto: JOAO MARCOS ROSA / NITRO

O jaborandi (Pilocarpus microphyllus), pequena árvore amazônica bastante utilizada para fins medicinais, é fonte de renda para comunidades que vivem da exploração de suas folhas. No entanto, a espécie vem sofrendo com a retirada da vegetação para diferentes finalidades econômicas, como a mineração e a pecuária. Por conta disso, o jaborandi encontra-se na lista das espécies ameaçadas de extinção, sendo necessárias ações para sua conservação genética e uso sustentável.

Na Floresta Nacional (Flona) de Carajás, Unidade de Conservação (UC) administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no estado do Pará, essas ações têm lugar de destaque através do Programa de Conservação do Jaborandi Nativo da Flona de Carajás. A iniciativa, que começou em 2012, tem como objetivo realizar o monitoramento da espécie para garantir que a atividade extrativista não gere impactos negativos. “O intuito do programa é possibilitar o manejo sustentável do jaborandi”, explica Frederico Drummond, chefe da Flona.

De acordo com Drummond, o ICMBio conta com três parcerias importantes para o desenvolvimento desse projeto: Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), Cooperativa dos Extrativistas da Flona de Carajás (Coex) e Vale. Ainda segundo o chefe da UC, o Programa de Conservação do Jaborandi anda de mãos dadas com outro empreendimento: o Programa de Manejo Florestal de Produtos Não-Madeireiros, que já existe desde 2008 na Flona e tem o jaborandi como carro-chefe. “Atualmente, cerca de 50 famílias estão envolvidas diretamente na coleta da espécie e essa atividade representa sua principal fonte de renda”, afirma Drummond.

Resultados

De 2012 até agora, diversos estudos foram realizados no escopo do Programa de Conservação do Jaborandi Nativo da Flona de Carajás: mapeamento e distribuição geográfica do jaborandi na unidade de conservação; acompanhamento do crescimento da espécie em ambiente natural, visando ao manejo e extrativismo sustentável; biologia da reprodução; produção de mudas e plantio, visando à conservação e domesticação da espécie, entre outros.

O projeto incluiu ainda o monitoramento fenológico do jaborandi, ou seja, foram identificadas as épocas e formas de produção de sementes e novas folhas e o mapeamento das áreas com a presença da espécie. Um dos resultados importantes foi a identificação de 5.538 hectares de área de ocorrência natural do jaborandi em 16 pontos de concentração distintos na Flona. Segundo Gracialda Ferreira, coordenadora da pesquisa e professora da Ufra, existem hoje muitos dados que ampliam o total de área com presença natural do jaborandi e o conhecimento a respeito da sua forma de reprodução. “Essas informações podem subsidiar uma revisão da lista de espécies ameaçadas e favorecer a sua conservação e a gestão de nossas florestas”, ressalta a professora.

Além do maior conhecimento sobre as áreas, os resultados beneficiam a Coex, que atua na coleta e venda da folha do jaborandi para a indústria farmacêutica. Gilson Lima, membro da cooperativa, conta que o programa gerou ganhos significativos: “Trouxe capacitação, melhor estrutura física, equipamentos e, principalmente, o conhecimento sobre novas áreas com a presença da espécie”. Este ano a meta da cooperativa é colher 32 toneladas. O grupo deverá atuar em parte das novas áreas identificadas. “Vai haver um aumento de produção, o que melhorará a renda das famílias”, aponta Gilson.

No início deste mês, foi realizado um seminário para divulgar os resultados do Programa de Conservação. O evento serviu para avaliar os pontos principais e a aplicação desses resultados nas ações de empresas, instituições e comunidades preocupadas com a conservação da espécie na Floresta Nacional de Carajás. Durante o seminário, foi inaugurada também uma exposição sobre o jaborandi, apresentando os resultados do projeto. O ambiente onde a espécie é encontrada foi recriado para proporcionar ao visitante a sensação de estar na floresta em contato com a planta. A exposição permanece no Centro de Visitantes da Flona de Carajás até o dia 5 de agosto.

Uso medicinal

Pouca gente sabe, mas é do jaborandi da Floresta Nacional de Carajás que se extrai a pilocarpina, importante componente usado no tratamento do glaucoma, maior causa de cegueira do mundo. Segundo Frederico Drummond, chefe da Flona, as folhas secas da planta saem da Flona e são encaminhadas para o Grupo Centroflora, no Piauí, que transforma a folha em sal de pilocarpina.

De lá, a substância é exportada para a Alemanha, onde é produzido o colírio para tratamento do glaucoma. “Várias pesquisas estão sendo realizadas com o objetivo de desenvolver outros usos medicinais para a espécie”, ressalta o chefe da UC. “As partes restantes do jaborandi, aquelas que não são utilizadas para produção da pilocarpina, são aproveitadas na fabricação de produtos cosméticos, como xampus, cremes e sabonetes”, conclui Drummond.

Serviço:

Exposição Jaborandi
Local: Centro de Visitantes da Flona de Carajás (Rodovia Raimundo Mascarenhas, Parque Zoobotânico de Carajás, Parauapebas/PA)
Horário de visitação: 9h às 17h
Período: até 5 de agosto

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