Serra Misteriosa: Projeto de ouro em Novo Repartimento tem potencial para 1.500 empregos

1
2355

“Há mais mistérios entre o céu e a serra do que sonha a nossa vã filosofia”, exprimiria o príncipe Hamlet, personagem criado por William Shakespeare, se andasse pelas entranhas do Pará, uma potência mineral para onde correm as mineradoras mais poderosas e audazes do mundo. No trecho original da frase célebre, a palavra “serra” aqui usada é “terra”. Mas dá no mesmo: o Pará tem mil e um mistérios minerais encravados terra abaixo à espera de alguém chamar de seu.

E na Serra Misteriosa não é diferente. Localizada entre os municípios de Novo Repartimento e Marabá, a serra — por onde a Assopem começa a viagem para mostrar os projetos de ouro que se movimentam no oeste do estado ― guarda mais mistérios minerais que supõe a vã filosofia capitalista de qualquer mineradora. Para desvendá-los, a empresa australiana Centaurus iniciou campanha de sondagem diamantada e já comemora: descobriu intensos veios de quartzo e sulfetos (pirita e arsenopirita).

A serra e o entorno têm muito ouro de excelente qualidade e, para a empresa, é um negócio promissor. A Centaurus, em uma de suas campanhas, percebeu que a porção mineral que fica em terras de Novo Repartimento tem um verdadeiro projeto “Volta Grande” [da empresa Belo Sun, às margens do Xingu] em tamanho miniatura.

Com potencial para gerar 1.500 oportunidades, entre postos diretos e indiretos, nas etapas de implantação e operação, o empreendimento tem agido com transparência. A diretoria da Centaurus já se reuniu com o governo municipal de Novo Repartimento e sempre o mantém informado de seus passos no município, para que o projeto e o desenvolvimento econômico de Repartimento caminhem juntos.

“A mineradora tem total apoio da Prefeitura de Novo Repartimento para acelerar o trabalho. Nossa vontade é gerar emprego e renda para o município”, declarou o prefeito Deusivaldo Pimentel, conhecido como “Amizade”, em entrevista a um portal de notícias de Tucuruí em abril. A parte do projeto no lado novo-repartimentense está próxima à vila Nova Descoberta, a 190 quilômetros da sede municipal.

Atualmente, o município de Novo Repartimento tem 74 mil habitantes e 4.800 trabalhadores formais, dos quais 55% estão empregados na prefeitura. A propósito, a prefeitura local tem receita anual de R$ 140,7 milhões e está entre as 500 mais ricas do país. Há dez anos, a receita era de R$ 50,7 milhões. Além de muito minério escondido, Novo Repartimento tem o 8º maior rebanho bovino do Brasil, com 930 mil cabeças.

O PROJETO

O projeto Serra Misteriosa é formado por dois processos junto ao Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) que somam 18.228 hectares nos municípios paraenses de Marabá, Anapu e São Félix do Xingu, além de Novo Repartimento. Os direitos minerários estão em nome da brasileira Terrativa Minerais, empresa com a qual a Centaurus fez acordos.
Com protocolo para requerimento de pesquisa autorizado no DNPM, se entrar em operação, o projeto vai inaugurar o município de Novo Repartimento no rol dos municípios mineradores do Pará. A Centaurus protocolou pedido de pesquisa no dia 3 de maio deste ano e no dia 6 de julho recebeu autorização. Os trabalhos para dimensionar 1.699,44 hectares do potencial de ouro da Serra Misteriosa estão a todo vapor.
Repartimento tem ativos 89 processos para investigar minérios em suas terras, boa parte mirando ouro. Mas a Centaurus está tão animada com a Serra Misteriosa que, na parte marabaense, pediu ao DNPM para pesquisar minério de cobre numa área de 306,3 hectares, no dia 8 de junho. A empresa aguarda a autorização. As pesquisas de ouro estão concentradas na porção da serra localizada no município de Repartimento e as de cobre, no município de Marabá, praticamente dentro da província mineral de Carajás, da qual faz parte o projeto Salobo, da Vale.
Vale ressaltar que a equipe da empresa Terrativa Mineirais, que trabalhou na etapa de descobrimento do depósito, era composta por geólogos paraenses, alguns dos quais formados na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa).

LOGÍSTICA

Infelizmente, como é de praxe no Pará, a logística é um dos maiores desafios para a Centaurus, já que a Serra Misteriosa fica em lugar de acesso difícil, remoto, o que acaba aumentando os custos de produção. Isso porque a área está localizada a cerca de 265 quilômetros da sede de Marabá e a mais ou menos 105 da sede de Parauapebas. O acesso à serra, pela rota mais fácil, dá-se pela mesma forma como para o projeto Salobo (via Parauapebas). Do Salobo até lá são apenas 12 quilômetros, enquanto de Parauapebas até o Salobo são outros 93.
Mesmo com todos os obstantes, o projeto tem potencial econômico animador. (Assopem)

Comentários

1 COMENTÁRIO

  1. O que não dá para entender, como o Estado do Pará é o maior em mineração, e uns dos mais pobres do Brasil, cidades com escassez de empregos, sem saneamento básico, sem saúde publica,sem projetos de infra-estrutura, educação precária… Problemas típicos de cidades com renda per capita baixa. Exemplo: Parauapebas, que ultrapassou a sua capital, sendo a cidade mais rica do Estado do Pará, mas isso só na teoria, porque na pratica ainda falta muito.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, faça seu comentário
Por favor, digite seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.