Uma expedição realizada pela Fundação Casa da Cultura de Marabá (FCCM), ao Alto Itacaiúnas, constatou o que já é possível perceber quando se passa pela ponte do Rio Itacaiúnas, Cidade Nova, em Marabá: o rio está secando (para não dizer morrendo). Em alguns lugares completamente cortado, sem um único fio de água correndo.

“Estivemos pesquisando o Alto Itacaiúnas no município de Água Azul do Norte, onde terminam as áreas de fazendas com pastagens e inicia-se a Floresta Nacional de Carajás. Como nossa canoa não pode navegar no rio seco, tivemos que percorrer a pé por cerca de 10 km. Nessa região o rio quase estreito tem em média 50m de largura. Mesmo assim, está seco, apresenta apenas de longe alguns poços: locais mais fundos com água totalmente parada e repleto de algas e pouquíssimos peixes”, relata o biólogo Noé Carlos von Atzingen, presidente da Fundação, que liderou a expedição.

Ainda segundo Noé, as margens da área percorrida deveriam ter seis pequenos afluentes e nenhum deles tinha uma gota de água. “Logo concluímos que o desmatamento matou estas nascentes, grotas e igarapés, e consequentemente não levam mais água para o rio. O resultado é óbvio, o rio está morrendo! O desmatamento provoca também o assoreamento e está tudo associado à diminuição das chuvas regionais e o afluente expressivo da temperatura tem contribuído para esta situação chegando ao ponto do irreversível”, lamenta Noé.

O biólogo explica ainda que, como não há mais água superficial na região, os poucos animais silvestres que restam, ficam percorrendo pelo “leito” do rio em busca de água e são abatidos impiedosamente pelos caçadores de plantão.

A foto que ilustra essa matéria foi feita pelos expedicionários da Fundação Casa da Cultura.

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