Quase 100 mil famílias sofrem com conflitos agrários

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A Comissão Pastoral da Terra (CPT) elaborou um estudo inédito que apresenta números preocupantes sobre a realidade da exploração de terras na Amazônia, mostrando que na região, 93,8 mil famílias sofrem por conflitos agrários. Nesse quesito, o Pará, mais uma vez, se destaca negativamente: é o Estado com o maior número de famílias afetadas.

Os números são do Atlas de Conflitos da Amazônia, que deverá ser divulgado na íntegra neste mês. Segundo o documento, o Pará concentra 20.498 famílias vivendo danos por causa desses conflitos. São 3,3 mil famílias a mais que o segundo colocado no ranking, Rondônia, onde o número chega a 17 mil.

Quando analisado o número total de conflitos, o estudo afirma que a Amazônia Legal é infligida por 977 disputas violentas por terras, sendo 142 no Pará, deixando o Estado na terceira colocação do ranking, atrás apenas de Rondônia, com 191 conflitos, e do Maranhão, com 197. Do total no Pará, 20 casos são registrados apenas no municípi de Anapu, no oeste paraense, cidade que ganhou destaque mundial após a morte da missionária Dorothy Stang, em 2005.

Ainda de acordo com a CPT, 47 asssassinatos foram registrados só neste ano, relacionados com disputa por terras. Um dos princiais casos do ano foi registrado no município de Pau D’Arco, no nordeste paraense, quando 10 trabalhadores rurais foram executados durante uma ação policial de reintegração de posse.

Número de conflitos é alarmante

Segundo Darlene Braga, coordenadora da articulação das CPTs da Amazônia, a existência de disputas por terra já é conhecida das autoridades. “Para nós que estamos nas nossas bases na Amazônia,  o resultado não nos surpreende. Mas é alarmante o grande número de conflitos existentes”, diz.

Ela explica que a metodologia usada nesse estudo é inédita no país, usando como base dados coletados pelos agentes regionais da CPT. “Esses dados nos ajudam a pensar nosso trabalho e nossa atuação na Amazônia. Ajudam a visibilizar a luta e resistência das comunidades. E o mais importante: denunciar em nível nacional e nível internacional o que está acontecendo no Brasil”, completa.

Para Braga, o maior problema hoje é o freio da reforma agrária no país e a não punição dos culpados pela violência no campo.

Segundo a coordenadora, esse é um dos piores momentos vividos pelos povos da Amazônia. “As comunidades estão sendo massacradas, violentadas, oprimidas. Os projetos de crédito de carbono e pagamentos de serviços ambientais agora também estão expropriando as populações tradicionais. As comunidades são expropriadas de seus territórios, proibidas de caçar, de pescar, de construir suas casas e canoas. Eles perdem a soberania sobre seus territórios”, afirma.

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