A mineradora Vale corre esperando apenas a licença de instalação para iniciar as obras do Salobo III, a segunda expansão do projeto que está encravado em terras marabaenses, que só este ano injetou nas contas da prefeitura local mais de R$ 50 milhões (entre janeiro a setembro) com a Cfem (Compensação Financeira pela Exploração Mineral). Para a empresa, será ótimo porque a ampliação do beneficiamento irá incrementar a produção de cobre na mina do Salobo e viabilizar o beneficiamento do minério de baixo teor.

A mineradora projeta gerar mais 3.700 empregos diretos e, durante o período de operação, a partir de 2021, serão gerados 800 novos empregos diretos, os quais se somarão aos 3.500 empregados que já trabalham nas plantas do Salobo I e II.

Nas últimas semanas, cinco engenheiros da Vale compareceram à reunião ordinária do Conselho Consultivo da Floresta Nacional Tapirapé Aquiri para apresentar o projeto Salobo III. Fizeram uso da palavra Michelle Matos de Souza, Patrícia Seabra, Andreya Teixeira, Vitor Pimenta e Rodrigo Garrocho. Este último fez apresentação técnica do projeto e os demais ajudaram a tirar dúvidas dos membros do Conselho.

A mineradora alega que não haverá aumento da capacidade de lavra, e que utilizará a mesma rota de processo da instalação já existente e mesma quantidade de minério e estéril da mina existente. Atualmente, parte do minério é estocada para processamento futuro. Com a fase III do Salobo, este minério será enviado diretamente para beneficiamento. “Dessa forma, haverá uma redução da quantidade de minério estocado, que é de aproximadamente 220 milhões de toneladas”, explicou Rodrigo Garrocho.

Sobre Salobo

A mina de Salobo, em Marabá, se assenta sobre a maior reserva medida, provada e provável de cobre no Brasil. Enquanto, por exemplo, a mina de cobre de Sossego, em Canaã dos Carajás, possui reserva estimada em 120,1 milhões de toneladas métricas secas de minério de cobre, com teor de 0,68%, a reserva de Marabá tem reserva de 1,193 bilhão de toneladas, com teor de cobre de 0,61%. A vida útil de Salobo, mesmo com a expansão, também é maior: começou a operar em 2012 e segue a plenos pulmões até 2052. Já Sossego, que começou a produzir em 2004, vai pendurar as chuteiras daqui nove anos — seria em sete, mas a Vale fez revisão das reservas, diminuiu consideravelmente a produção e, por fim, deu sobrevida ao empreendimento.

Do ponto de vista negocial, hoje, para a Vale, Salobo é sua 3ª principal operação no país, segundo dados da Agência Nacional de Mineração (ANM). Só perde para os projetos Ferro Carajás, em Parauapebas, e Ferro S11D, em Canaã. Este ano, até o último dia 15, Salobo produziu R$ 3,94 bilhões em recursos minerais e rendeu R$ 79,6 milhões em royalties de mineração, montante que é repartido em cotas distintas para a União, o Governo do Pará e a Prefeitura de Marabá, esta a qual fica com 60% da fatia.

A economia de Marabá, aliás, tem em Salobo a maior contribuição para composição do Produto Interno Bruto (PIB), com 38,5% de participação. É uma força tão impressionante que faz sucumbir até a poderosa agropecuária local, que reúne mais de um milhão de cabeças de gado. A agropecuária só representa 3,7% do PIB marabaense.

Entre royalties, taxas e compensações, Salobo coloca na conta da Prefeitura de Marabá cerca de R$ 200 milhões por ano. Aliás, foi pelo valor adicionado — que saltou R$ 1,2 bilhão de 2016 para 2017 — produzido por Salobo que a cota-parte do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) aumentou na vigência do ano que vem. Nos últimos cinco anos, com a entrada em operação de Salobo, a cota-parte do ICMS de Marabá aumentou 1%. Com a expansão concluída, Marabá deve faturar mais 1% na cota do imposto, gradativamente