Parceria com Fortescue pode render US$ 160 Mi por ano para Vale

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Many bundle of US 100 dollars bank notes

A parceria entre Vale e Fortescue Metals Group (FMG) para blendagem e distribuição de minério de ferro na China deve contribuir com US$ 90 milhões na receita da mineradora australiana por ano. Segundo cálculo do NMB, a receita da Vale pode ter aumento entre US$ 107 milhões e 160 milhões por ano.

O cálculo leva em consideração que a FMG vai entrar com volume entre 40% e 50% do total, corforme declarado pelo CEO da FMG, Nev Power, e que o preço médio do minério de ferro com 58% e 65% Fe apurados no dia 8 de março pelas empresas Beijing Custeel e Steelhome Information, respectivamente.

O acordo preliminar das mineradoras prevê a produção de 80 milhões a 100 milhões de toneladas por ano de minério com 62% ou, segundo analistas do Itau BBA, 61,5% Fe. O memorando de entendimento (MoU) prevê um blend do minério premium da Vale, com 65% Fe, com o produto australiano, com teor de 58% Fe, da Fortescue.

O blend da Vale e FMG deve competir com minério de ferro de Pilbara, na Austrália, onde ficam as divisões da Rio Tinto e da BHP Billiton, segunda e terceira maiores produtoras do mundo, respectivamente. A BHP não vê o acordo como “algo que esperaríamos que nos impactasse diretamente”, segundo Mike Henry, presidente de operações e da divisão australiana de minerais.

O analista do Credit Suisse, Paul McTaggart, disse que o MoU assinado entre as mineradoras pode levar a uma valorização de US$ 0,15 por ação da Fortescue, o que representaria um aumento de aproximadamente US$ 465 milhões no valor de mercado da companhia australiana. “Nós estimamos que há um benefício potencial na receita [da Fortescue] de US$ 90 milhões por ano”, afirmou.

O analista Kann Peker, da CLSA, disse que a produção de 80 milhões a 100 milhões de toneladas por ano poderia gerar um aumento na receita entre 1% e 5%. “O benefício na receita gerado pela precificação maior de 3% seria apenas de US$ 350 milhões e, no nosso modelo, o valor presente líquido seria negativo se a joint venture atingir apenas um aumento de 2% nos preços realizados”.

O especialista também não acredita que a Vale deva adquirir participação na empresa controladora da Fortescue, conforme opção da mineradora brasileira prevista no MoU para comprar de 5% a 15%. “Isso é inconsistente com o comentário recente dos brasileiros, que deixaram claro que reduzir a dívida é prioridade”, disse Peker.

O Macquarie Bank disse que o acordo com a Vale tem potencial para geral valor significativo para a Fortescue, reduzindo o desconto no preço realizado da mineradora australiana. O banco fala ainda da possibilidade de desenvolver projetos juntos no médio prazo, como diz o MoU, e cita Nydinghu, ativo que fica em Pilbara, em Western Australia.

A FMG teve que se explicar à bolsa de valores da Austrália (ASX) sobre o possível vazamento do acordo fechado com a Vale, um dia antes da divulgação oficial. As ações da mineradora australiana subiram 24% no dia anterior aos comunicados enviados ao mercado.

A Fortescue disse que as notícias da joint venture e da possível venda de parte da empresa controladora não devem ser esperadas para alterar o valor das ações da mineradora. “O memorando de entendimento é não vinculativo e está sujeito ao acordo dos termos finais de qualquer documento resultante da transação”, disse Ian Wells, porta-voz da FMG.

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