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Jovens lembram massacre de Carajás e pedem reforma agrária

O início dos atos em comemoração ao Dia Internacional da Luta Camponesa começou no Pará com o décimo acampamento da Juventude Camponesa. Trezentos e cinquenta jovens estão reunidos na Curva do “S”. O local foi escolhido por ter sido o palco do trágico massacre de Eldorado dos Carajás. No dia 17 de abril de 1996, há 19 anos, 21 trabalhadores rurais foram mortos em um confronto com a Polícia Militar do Pará.

Para Jéssica Trindade, participante do acampamento, a atividade tem como um dos objetivos lembrar os jovens da chacina.

Sonora: “A coisa da lembrança. Aqui foram pessoas mortas e nós, enquanto jovens, não podemos deixar que esta história possa ser apagada. Aqui na curva do S, tem um monumento, então é bem simbólico. E tem uma quantidade muito grande de jovens das áreas de acampamentos. Aqui a gente também estuda o que foi aquilo e a atual conjuntura do nosso país hoje. Para não deixar os nossos jovens esquecerem que nós vivemos em uma sociedade em que o pobre, o camponês não tem vez”.

A coordenadora do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra no Pará, Ayala Ferreira, fala que além de relembrar o Massacre de Eldorado dos Carajás, as ações reforçam a luta pela reforma agrária.

Sonora: “Pra nós, reforma agrária tem dois itens fundamentais. O primeiro é esse, da questão mais fundiária, dessa dimensão da concentração da terra e da necessidade de inserir centenas de trabalhadores rurais camponeses, que estão nesta condição de sem-terra, de ter acesso à terra. E o outro, em um segundo momento, que diz respeito aos que já conquistaram a terra. Só é possível produzir e reproduzir a existência no campo com uma ação direta do Estado para viabilizar as condições de se manter no campo. Então é a saúde, é a educação, é a infraestrutura”.

Até a próxima sexta-feira (17), os acampados participam de debates sobre gênero, artes e política com abordagem relacionada às vivências na região amazônica. Durante todos os dias eles promovem às 17 horas o tradicional fechamento da BR 155 para recordar a chacina.

Na sexta-feira, na Curva do “S”, às 9 horas, acontece um ato político em defesa da reforma agrária. Está prevista a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, da presidenta do Incra, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, Lúcia Falcón, e do dirigente nacional do MST, João Pedro Stédile.

 




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