Durante o seminário que marcou o encerramento da programação alusiva ao Dia da Luta Antimanicomial (18 de maio), realizado na terça-feira (24), pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), usuários e profissionais de saúde refletiram e fizeram proposições sobre o tema “Direitos da pessoa em sofrimento mental: avanços e desafios em Parauapebas”.

O seminário contou com exposições em painéis sobre a saúde mental no Pará, a visão do usuário no processo de cuidado no município e a relação com os direitos humanos; além disso, depoimentos de pessoas com sofrimento psíquico e a participação de representante do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e do Conselho Regional de Psicologia.

“Quando a gente fala de luta antimanicomial precisamos entender que o maior manicômio é o preconceito”, disse Carlos Alessander Costa Alves, que é servidor público e usuário do Caps, ao compartilhar um pouco da sua experiência com os participantes do seminário. “Em relação aos nossos direitos, temos muito ainda que avançar”, reforçou.

Além do seminário a programação contou também com a exibição, em escolas profissionalizantes do município, de filmes voltados para a temática da saúde mental; com a realização de dois grupos de discursão com usuários do Caps, que tratou de orientação vocacional e reinserção no mercado de trabalho; e com a retomada das assembleias gerais.

“As assembleias gerais, que voltamos a realizar com nossos usuários a partir desta programação, é um resgate da participação deles, um espaço para dar voz, para deliberar, dessa forma, fica referendado para levarmos para a gestão as reivindicações”, informou Gardênia Lima, gerente do Caps, acrescentando que a partir de então os encontros serão periódicos.

Sobre a programação realizada no município, a usuária do Caps, Vanessa França, disse ter sido muito proveitosa. “Foi muito bom, pra mim, foi uma experiência maravilhosa, porque minha família não me aceita e eu pude compartilhar com nossos amigos essas e outras dificuldades que tenho e aprender um pouco mais a lhe dar com tudo isso”, relatou.

Na avaliação do coordenador da Rede de Atenção à Saúde Psicossocial (Raps) do município, Wagner Caldeiras Dias, a programação deste ano foi diferenciada.

“Foi histórica, não só pela amplitude das discussões, mas também pela qualidade delas, pela capitalização das ações da Raps, mas principalmente pela participação ativa dos usuários, reivindicando seus direitos e sendo protagonistas da sua própria história. Acreditamos que, com a participação dos usuários, construiremos, a partir de agora, uma rede muito mais humanizada para Parauapebas”, disse.

Conquistas e desafios

O Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Parauapebas completará 10 anos em agosto e de acordo com os usuários, sua implantação no município é uma das maiores conquistas. “Antes do Caps eu tinha que viajar para São Luis, para ser tratado, isso nunca mais foi preciso depois que comecei a ser atendido aqui, por esta equipe maravilhosa”, disse Melquias, um dos primeiros usuários atendidos na unidade de saúde. A atuação dos profissionais do Caps é sempre muito elogiada por quem precisa dos serviços.

Um desafio, apontado por Wagner Dias, é a preparação e qualificação de toda a rede para atender as pessoas com sofrimento psíquico, tanto nas unidades básicas de saúde quanto no Hospital Municipal. “Temos feito capacitações com os profissionais da rede, mas sabemos que precisamos nos aperfeiçoar ainda mais para esse acolhimento”, reforçou.

A ampliação do número de psicólogos na rede pública de saúde do município é um dos avanços que foi destacado durante a programação, quem precisa passar por uma consulta com esse profissional, basta procurar uma das seguintes unidades de saúde: Cidade Nova, Fortaleza, Liberdade I, Novo Brasil, Casas Populares II, Altamira e Rio Verde. Uma psicóloga especialista também atende crianças na Policlínica do município.

Texto: Karine Gomes

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