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De olho em nós: Editorial de jornal mineiro chama atenção para ‘morte’ de Parauapebas




Um artigo publicado envolvendo Parauapebas, às vésperas do aniversário de 28 anos do município, na semana passada, repercutiu bastante na região do Triângulo Mineiro. A publicação do jornal Correio de Uberlândia – que mantém uma página na internet das mais acessadas de Minas Gerais, com cerca de 30 mil visitas diárias, além da tiragem de 14 mil exemplares do impresso – tem título “Cidades podem morrer” e chama atenção para o caso de Parauapebas e sua dependência crônica de um único produto, que é o minério de ferro.
O texto assinado pelo professor e consultor de Estratégia e Gestão, Hélio Mendes, trabalha em cima das mesmas preocupações que, teoricamente, deveriam afligir a todos os que escolheram Parauapebas para viver e perpetuar gerações: como estará o município nas próximas décadas sem a lavra de recursos minerais?
Mendes contextualiza seu exemplo acerca de Parauapebas reportando-se a Detroit, cidade estadunidense considerada “Capital Automobilística” nos anos de 1960, mas que, inacreditavelmente, faliu. Do auge de seu crescimento, quando chegou a 1,85 milhão de habitantes, Detroit despencou para cerca de 700 mil moradores atualmente.
O autor diz estar “vivenciando de perto” a situação de Parauapebas e relata que, por aqui, os serviços básicos ainda estão “a desejar”. Ele ilustra o processo de falência da “Capital do Minério” a partir do que observa como sendo “um número grande de desempregados, aumento da quantidade de placas de aluga-se, vende-se e a queda no comércio”. E ressalta que “a crise política e a econômica contribuem com o agravamento dessa situação”.
No fundo, são questões elementares sobre a dinâmica local que são percebidas mais pelos de fora do que pelos próprios habitantes de Parauapebas, muitos dos quais ainda insistem em apregoar que a situação está um mar de rosas, sem compreender, contudo, que o município mais depende da conjuntura macroeconômica externa (por exemplo, dos números da economia e do consumo da China, maior compradora do minério de ferro local) e menos da política nacional – mantidas as devidas proporções e negociações comerciais, é claro.



E SE ELE SOUBESSE
Força econômica de Parauapebas é superior à de 12 capitais




O município de Parauapebas não vai morrer. Pelo menos não enquanto o último habitante estiver por aqui para dar seu suor em prol de manter-se e mantê-lo vivo. Ninguém quer que Parauapebas morra, e o Brasil – leia-se a Balança Comercial do país – muito menos porque precisa, até segunda ordem, do dinamismo da “Capital do Minério” para continuar a obter superávit.
Parauapebas tem boa parte de lotes no quintal mineral da nação, que é a região de Carajás. Por aqui, há um manancial medido e provado pela mineradora Vale, por meio de pesquisas geológicas cada vez mais aperfeiçoadas, que registram muito além do óbvio (minérios de ferro e manganês; cobre em concentrado com ouro; e níquel). O loteamento de Carajás guarda em segredo público zinco, alumínio, estanho, tungstênio, prata, molibdênio, cádmio, crômio, calcário, tudo à espera de acontecer.
Mas o articulista Hélio Mendes ficaria impressionado e, ao mesmo tempo, estarrecido caso tomasse conhecimento, a fundo, do poder de fogo que a prefeitura daqui acumulou nestes últimos 28 anos, à custa de míseros milhões correspondentes a 2% de todas as operações minerais realizadas pela Vale neste solo.
Em termos comparativos, o município do portal para o qual ele escreveu, Uberlândia, pode ser considerado uma das mais importantes praças financeiras do país. Com cerca de 670 mil habitantes (maior que a população de nove capitais) e produção de riquezas superior à de Belém, Uberlândia tem ares de metrópole em ascensão no Brasil Central. Sua prefeitura tem orçamento de R$ 1,53 bilhão (32º maior do país).
E é aí que Parauapebas desponta. Sem precisar ser maior que qualquer capital brasileira (Parauapebas tem aproximadamente 200 mil habitantes em 2016 e a capital menos populosa, Palmas, tem cerca de 280 mil), Parauapebas impressiona pela produção de riquezas (a 35ª maior entre os 5.570 municípios brasileiros e superior à de 12 capitais) e pela força financeira de sua prefeitura, dona do 49º maior orçamento nacional (superior ao de seis capitais).
No confronto direto com Uberlândia, Parauapebas perde em número de habitantes (é três vezes menor), mas está praticamente pau a pau em produção de riquezas e no poder de fogo da prefeitura. Tecnicamente, leva vantagem por ter proporcionalmente mais recursos financeiros, considerando-se o tamanho da população e dos abacaxis. Ainda assim, não passa disso.
Esses, aliás, são números gloriosos por demais quando contrastados com a situação da vida cotidiana da maioria dos moradores daqui, uma vez que muito maior é a força de Parauapebas no acumulado dos últimos 28 anos, mas o desenvolvimento social não acompanhou o apogeu econômico.

Fonte: André Santos




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