Cria de Parauapebas, atacante defende clube da Europa e joga a Champions League

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A bandeira do Pará continua transitando pelo mundo da bola. Engana-se quem pensou que o tema é Paulo Henrique Ganso (meia do Sevilla/ESP). A história de Águia e Parauapebas tem a presença de um atacante magro, rápido e com jeito de artilheiro, que, hoje, desfila o bom futebol com a camisa do Porto (POR). Há duas semanas, Danúbio, de 22 anos, enfrentou o Liverpool (ING), pela Champions League, uma das maiores competições de futebol do mundo. Isso tudo depois de chegar a largar o futebol para trabalhar na roça, no interior de Parauapebas.

Filho de ‘seu’ Sebastião e ‘dona’ Conceição, Danúbio dos Santos Ribeiro nasceu em Tapecuru, no interior do Maranhão, e, com dez dias de nascido, foi para Parauapebas, onde cresceu. Paraense de coração, ele foi o único esportista entre os seis irmãos (três homens e três mulheres). O primeiro contato com o futebol, em Parauapenas, aliás, precisou de paciência.

‘Meu pai não entendia muito de futebol e nem imaginava ter um filho atleta. Eu sempre gostei de jogar bola e, quando tinha 14 anos, vi meus amigos treinando na escolinha Cidadão do Futuro. Ele pediu pra eu esperar. Isso demorou três dias! (Risos) Ele se convenceu que seria só um divertimento para mim e deixou eu me matricular. Foi o primeiro passo’, lembrou.
A brincadeira na escolinha, sob a regência dos ‘tios’ Jhone e Adão, ficou séria quando o diretor do Parauapebas, Elder Marte, apareceu. ‘Ele me viu jogar e me colocou no time dele, que disputava o campeonato municipal. O nome do time era Sociedade Bairro da Paz. Fui muito bem e ele me levou para jogar no Parauapebas’. Tudo isso foi em 2013.
A pouca idade de Danúbio chamava a atenção e, em 2014, ele foi trazido para Belém. ‘Joguei oito meses pelo Paysandu. Fiz um gol e não tive muito espaço. Voltei para o Parauapebas e fiquei na base. Em 2015, joguei no profissional e fomos muito bem. Fiz 10 jogos e marquei um gol pela Série C do campeonato brasileiro. O (João) Galvão (técnico do Águia) gostou muito de mim. Estava tudo indo bem na carreira’.
Danúbio, porém, sofreu uma falta da vida que quase resultou em cartão vermelho para o futebol. ‘Em 2016, perdi meu pai. Foi uma coisa muito ruim para mim. Fiquei com muitos problemas na família e ainda tive uma lesão. Tudo desandou. Pensei em parar de jogar e voltei para casa. Fique um tempo por lá. Alguns disseram até que eu estava com depressão, mas resolvi voltar e fiu para o Parauapebas de novo’, contou.
O reinício no Parauapebas foi tímido (dois jogos e nenhum gol). No mesmo ano, uma passagem pela Desportiva Paraense (quatro jogos e também sem gols). No ano seguinte, Danúbio defendeu o São Francisco e bastaram seis partidas para um grupo de empresários se sentir atraído pelo talento do garoto.
“Recebi um telefonema de um dos empresários e aceitei o convite para jogar no Grêmio Anápolis. Fui lá e fiz quatro gols no campeonato. Subimos o time para a primeira divisão do campeonato goiano e os empresários disseram que me levariam para Portugal. Deu certo! Foi tudo muito rápido. É como dizem: ‘Quem trabalha, Deus ajuda'”, frisou.
Sereno, Danúbio partiu para o país de Cristiano Ronaldo – atacante do Real Madrid eleito o melhor do mundo cinco vezes pela Fifa. ‘Vim tranquilo, mas, quando cheguei, bateu aquele frio. O casaco nem dava para esquentar (Risos). Foi no dia 15 de janeiro. Nunca vou esquecer!’, exclamou. No dia 28 de fevereiro, o garoto entrou ainda no primeiro tempo da partida contra o Liverpool (ING), pela Champions League. O time português venceu por 2 a 1. Danúbio não fez gol, mas salientou: ‘Foi quando caiu a ficha que eu tinha conseguido me tornar um jogador profissional de futebol’.
Brasileiro no Porto é tratado como ouro! O clube que já teve Deco, Carlos Alberto, Hulk, Helton e Artur (o ‘Rei’ Artur, ídolo do Remo) é apontado como uma segunda casa para brazucas. ‘Aqui, formei uma família. Falo com todos. É incrível como me tratam bem. Todos me ajudam. Não tive problema para me adaptar. O futebol é de correria, mas com muita tática. Só o frio que ainda me incomoda (Risos), mas, depois que o corpo esquenta… (Risos)’.
O menino magrinho e tímido de Parauapebas chegou a Europa e, quando perguntado qual seria o seu sonho atualmente, respondeu: ‘Como assim? Realizo meu sonho todo dia que acordo aqui. Sempre vou trabalhar para melhorar, mas deixo tudo nas mãos de Deus. Minha função é trabalhar e confiar. Assim, as coisas acontecerão naturalmente’.

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