CPI da Vale ouve representantes da mineradora Vale

1336

Dando continuidade aos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Vale, que investiga denúncias de supostos calotes praticados pela mineradora contra trabalhadores e empresários em Parauapebas, foi realizada uma oitiva na última sexta-feira (23).

Na ocasião, a CPI colheu o depoimento do líder executivo do Ramal Ferroviário, Plínio Tocchetto, que estava acompanhado do gerente de Relações Institucionais da Vale, Luiz Veloso, e do advogado da mineradora, Bruno Passos.

A presidente da CPI, vereadora Eliene Soares (PMDB), abriu os trabalhos e o relator, José Coutinho (PMDB), conduziu os questionamentos. Os demais membros, Joel do Sindicato (DEM), Horácio Martins (PSD) e Francisca Ciza (DEM), também participaram da oitiva, com o assessoramento dos procuradores da Câmara, Cícero Barros e Jeanny Frateschi.

Empresa Integral

As perguntas feitas ao representante da Vale foram a respeito da relação da mineradora com a empresa terceirizada Integral Engenharia, que se encontra inadimplente com alguns fornecedores locais e ex-funcionários.

Plínio Tocchetto informou que a empresa Integral foi contratada pela Vale para fazer a implantação de infraestruturas do Ramal Ferroviário, no trecho entre os estados do Pará e Maranhão. Segundo ele, o contrato previa a subcontratação de outras empresas na execução da obra. Algumas destas subcontratações só eram realizadas com aprovação prévia da mineradora, de acordo com a atividade prestada.

José Coutinho e Eliene Soares perguntaram se a Vale tinha conhecimento da inadimplência da Integral com fornecedores e funcionários há mais de um ano. Plínio informou que sim.

Sabíamos de um débito de R$ 2,8 milhões. Mas o valor do contrato entre a Vale e a Integral era superior a este valor”, explicou Plínio Tocchetto.

Joel do Sindicato e Horácio Martins questionaram a veracidade da informação de que a mineradora teria pressionado empresas terceirizadas a trabalharem sob a justificativa de que se a Integral não pagasse a Vale pagaria. Plínio disse que isso não ocorreu.

A Vale afirma que a responsabilidade do pagamento é da Integral. Tudo que ela tinha para receber, já recebeu. Todos os serviços foram pagos”, informou.

Por fim, o representante da Vale relatou ainda que a mineradora está em constante diálogo com a Integral. A causa está sendo analisada por uma arbitragem independente, para que não seja necessário ir à justiça comum, mas não há data para o resultado. Informou ainda que a companhia depositou R$ 8,5 milhões sub judice para custear possíveis encargos trabalhistas resultantes da ação.

Trabalhos da CPI

Ao final da oitiva, Eliene Soares comunicou que as perguntas serão encaminhadas via documento para a Vale, para que sejam respondidas formalmente também e posteriormente vão ser anexadas ao material da CPI.

Os trabalhos da CPI da Vale continuam. O prazo para averiguação dos fatos é de 180 dias, contados a partir da data de instalação da comissão, que ocorreu no mês de março e poderá ser prorrogado por mais 60 dias.

Texto e fotos: Nayara Cristina / Revisão: Waldyr Silva / Ascomleg

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui