Cacau do PA é classificado para salão do chocolate em Paris

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Pela primeira vez, amostras de cacau paraenses foram selecionadas para disputar os prêmios Internacional de Cacau (ICA) e Cacau de Excelência (CoE) que serão anunciados, em outubro deste ano, durante o Salão do Chocolate de Paris. O feito inédito consolida a qualidade internacional das amêndoas produzidas no Estado, o que abre a perspectiva de novos mercados exportadores para o cacau do Pará, além de servir como atrativo para que indústrias do setor de chocolate se instalem em território paraense.

As amostras classificadas são de dois “terroir” (produto próprio de uma área limitada) distintos de produção cacaueira dentro do Pará. Foram selecionadas as amostras de Gedaíldes Benício de Carvalho, produtor de Medicilândia, município que integra o “terroir” da Transamazônica, a região mais tradicional de lavoura de cacau no Estado, e de João Nicolau Loff, produtor do município de Tucumã, que faz parte do “terroir” do Sul do Pará, uma área de consolidação mais recente.

Ambos são pequenos produtores e foram convidados a integrar a comitiva de técnicos da Secretaria de Estado de Produção Agropecuária e da Pesca (Sedap) que participou do Sétimo Festival Internacional do Cacau e Chocolate da Bahia, realizado em Ilhéus no último final de semana. A Sedap montou um stand do Pará no evento para apresentar a qualidade do cacau paraense e divulgar o Festival Internacional do Cacau e Chocolate da Amazônia, que vai ocorrer no período de 17 a 20 de setembro deste ano, no Hangar Centro de Convenções, em Belém.

No total, foram enviadas sete amostras de produtores paraenses. As amostras foram coletadas pela Sedap, junto com a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) em março deste ano. O estímulo à participação em concursos nacionais e internacionais de qualidade do cacau e do chocolate é uma ação que integra o projeto de desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau que vem sendo implantado no Estado.

“Nossa ideia é trabalhar nas principais regiões produtoras, identificando o material genético de melhor qualidade em cada uma delas, de maneira a, em breve, trabalharmos com os terroir de cacau destinados à indústria mundial de chocolates finos”, explica o diretor de Agricultura Familiar da Sedap, Luiz Pinto.

Com uma safra que, em 2014, superou a marca de 100 mil toneladas de amêndoas secas, o cacau produzido no Pará está pronto para ganhar um espaço cada vez maior nos mercados nacional e internacional, além de atrair a atenção de indústrias do segmento de chocolate interessadas em se estabelecer no Estado. A produtividade média dos cultivos paraenses atinge 950 quilos por hectare.

Quase 80% da produção vem da agricultura familiar e o plantio garante uma renda média mensal de R$ 3 mil para cada módulo médio de 10 hectares por família de agricultor. A área plantada no Pará hoje é de 150 mil hectares, dos quais 108 mil estão em fase de produção, e vem se expandindo a uma taxa média anual acima de 10%. Nos últimos cinco anos a produção cresceu em média 7% ao ano.

Antes de serem consideradas aptas para participar da competição internacional, as amostras de cacau paraense concorreram com outras 78 amostras enviadas por produtores capixabas e baianos e passaram pelo crivo da seleção nacional que contou com testes realizados pela Seção de Controle de Qualidade Vegetal da Ceplac e pelo Laboratório do Centro de Pesquisas do Cacau.

Ao final, foram selecionadas dez amostras – duas paraenses e oito baianas – para representar o Brasil no concurso internacional. Em Paris elas serão transformadas em licor de cacau e avaliadas por um júri composto por fabricantes de chocolate, jornalistas gastronômicos e especialistas internacionais do setor de cacau e chocolate.

Nas últimas edições deste concurso, o Brasil foi o país com maior número de amostras finalistas, recebendo dois prêmios Cacau de Excelência. “Estamos confiantes que estamos enviando amostras com qualidade capaz de disputar em pé de igualdade com as demais amostras os prêmios internacionais”, avalia o secretário de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca, Hildegardo Nunes.

Fonte: ORM

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